Para abrir só este artigo clique no seu título Papel da escola na família

Fala-se muito sobre o papel da família nas escolas, mas não se fala do papel da escola na família. A própria expressão causa estranheza. Mas tal como as bruxas, que ele existe, existe.

Numa época em que a estrutura familiar está em definitivo reestruturada segundo moldes diferentes da nuclear com as mesmas pessoas para toda a vida, havendo a par dessa as famílias monoparentais, as de recasamento e as que estão em processo intermédio (divorciados mas com relações novas, por exemplo), a escola é a única instituição, a par da Igreja, que ainda não se adaptou à realidade moderna.

Mesmo casais em processo de divórcio, ou a vivenciarem as exigências da adaptação pós-divórcio, são forçados pela escola a estarem juntos, em festinhas e ocasioezinhas por tudo e por nada, numa alegoria permanente à família tradicional.

Ninguém pensa nos efeitos. Quer nos miúdos, reactivando constantemente fantasias de reunião e não os deixando adaptar-se à mudança, quer nas novas relações que entretanto se desenvolveram, pondo-as em cheque por via da insegurança causada e da exclusão forçada dos novos elementos. Porventura o novo elemento é quem muda as fraldas, é quem dá de comer, é quem cuida, é quem brinca, é quem pensa no lazer e na educação, é quem passa noites mal dormidas, é quem tem o trabalho educativo, etc., mas não é o convidado pela escola a estar presente, sim o progenitor ausente.

Que os educadores de infância e professores não pensem sobre estas questões, não causa estranheza. Quem trabalha com professores sabe que na sua maioria (repare-se que digo maioria) o último pensamento educativo que tiveram foi no seu primeiro ano de exercício. É por isso que quando alguém fala em divórcio, toda a manifestação comportamental da criança passa a ser explicada pelo mesmo e não pela normalidade (muito menos pela inépcia do educador). São sempre precisas razões externas, e quanto mais fáceis de encontrar melhor.

Que os pais não pensem nestas questões, forçando a escola a adaptar-se, também não surpreende muito. Ou por vergonha de assumirem publicamente o novo estado, mantendo aparências – quem vive delas - num processo absurdo que julgam ser pelo bem da criança (quando na realidade é o seu próprio), ou por estarem ainda psicologicamente presos à ideia daquela família e dela não abdicarem, de qualquer das formas por dificuldade clara em serem objectivos nesta matéria.

A escola precisa de ser educada para o divórcio, como parte da formação de base dos educadores, da mesma maneira que para outras questões ligadas à sua acção (neste momento irreflectida) nas famílias. Haja quem o faça o mais rapidamente possível.

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